Absolum - Análise
Como eu sou meio atrasado com os games, só peguei Streets of Rage 4 pra jogar agora em 2025 e gostei bastante. Pra quem não sabe, ele foi lançado em 2020 e, por mais que eu voltar pra esse clássico tenha demorado, ele se tornou um dos meus títulos preferidos de todos os tempos.
Depois de mais ou menos 50 horas, eu finalmente consegui fazer todas as conquistas e alcançar a platina. Mesmo assim voltei a jogar algumas vezes de tão bom que ele é.
O que restou nessa ressuscitação do gênero de Beat'em Ups, ou briga de rua mesmo, foi realizar alguns desafios pessoais e passar o tempo com alguma coisa familiar. Só que um jogo desses consegue ser novo, nostálgico e ainda deixou aquele gostinho de 'quero mais', aquela vontade de experimentar mais, mas não qualquer coisa, tem que ser parecido, tipo uma continuação. Aí, eu já tinha recebido propagandas e visto alguns vídeos de Absolum, que é o mais novo lançamento da Dotemu.
Fiz as contas, conversei com a patroa e comprei. Agora que eu já joguei, se eu fosse resumir a minha experiência com Absolum em poucas palavras, elas seriam: "só mais uma run que eu acho que descobri uma coisa nova aqui". E olha que eu nem sou muito bom, com mais de 20 horas de gameplay, no início da elaboração deste texto, eu ainda não tinha conseguido vencer o último chefe da segunda vez que se termina a história. Foram necessárias mais de 25 horas de jogo para fazer isso.
E, até agora, eu estou bobo com tudo que eu encontrei em Absolum.
A animação e o sistema de luta, baseados no que eles fizeram em Streets of Rage 4, foram refinados e melhorados. Desse jeito a Dotemu começou a primeira propriedade intelectual própria maravilhosamente bem.
As possibilidades agora aumentaram muito: temos golpes fracos e rápidos, fortes e lentos, esquiva para todos os lados, contra-ataque, deflexão (esquiva em direção ao golpe adversário), revidação (ataque forte em direção ao ataque do inimigo), além do ataque Blitz (dois pra frente e ataque fraco) que foi mantido, e as melhorias aleatórias, tão características de roguelites, que aparecem no final de cada fase e adicionam uma variedade absurda de possibilidades para cada aventura.
E isso causa um problema que acontece com vários jogos: em que gêneros podemos colocar Absolum?
A aleatoriedade de recompensas no final de cada fase, cenários meio que sorteados numa mesma parte do mapa, as melhorias fixas que podem ser desbloqueadas depois que você morre e o jogo funcionar em runs. Essas características permitem que ele seja claramente colocado dentro da classificação roguelite.
É muito interessante como fazendo os mesmos caminhos, nem sempre passamos pelos mesmos lugares, apesar de ter alguns pontos fixos, como o encontro com certos chefes, locais de descanso ou de determinadas quests.
Como ele foi feito na mesma engine de Streets of Rage 4, eu gosto de pensar nele como briga de rua, apesar dos personagens usarem armas. E pesquisando deu pra ver que o mundo inteiro já meio que chegou nesse consenso, só eu não tinha visto nada a respeito e achava que as pessoas ainda viam Golden Axe como um Hack'n Slash. Um claro sinal da idade avançada...
E, por fim, o jogo tem atributos, então até dá pra chamar de RPG, mas, fora sorte, parece que os valores são fixos de acordo com qual personagem você escolhe: o anão tem mais força, a assassina mais destreza e o mago, inteligência... o de sempre.
Junto com tudo isso, eu gostaria de dizer que a história bebe muito de Dark Souls e Conan. Ela é contada em partes, de maneira não linear e muitas vezes depende de algumas informações escondidas para ser entendida. Tem dicas visuais do que realmente aconteceu, porque muito do que parece não é e, para entender, tem que explorar o mundo e prestar alguma atenção.
Por exemplo, o jogo começa dizendo que aquela sociedade sempre se baseou na magia, que as Irmãs da Raiz vigiavam o mundo, Talamh, mas provocaram um cataclismo rasgando o tecido do mundo. Parece que foi simplesmente sede de poder, mas a imagem que acompanha a narração pode indicar outra coisa.
Aproveitando, vou seguir com a história: os arcanistas explodiram uma bomba atômica de mágica, dando espaço para o surgimento de uma figura que vai perseguir eles: Azra, o Conquistador. Mas só perseguir os arcanistas não é suficiente, ele também proíbe a magia e domina praticamente o mundo todo, se auto intitulando Rei Sol.
Resta às Irmãs da Raiz e aos arcanistas que sobraram lutar contra a tirania de Azra, que na verdade não quer acabar com a magia, mas ter o controle dela só pra ele. E é aí que surgem os personagens jogáveis: Karl, um anão, e Galandra, uma elfa que estão na missão de resgate da Grande Feiticeira Uchawi, também chamada de Mãe, que está grávida e foi capturada.
A missão é um sucesso, Uchawi se teletransporta e os dois heróis morrem em batalha.
Felizmente, nesse jogo, "a morte é apenas mais um passo na sua jornada" e ambos são revividos no santuário dos rebeldes logo em seguida. Se prepare pra ouvir muito essa frase.
Começa a aventura para explorar o mundo, desbloquear vários aspectos do jogo e acabar com o reinado tirânico do Rei Sol enquanto você desvenda os segredos de Talamh.
E esses segredos são uma ótima parte do jogo. Eu vou dividir eles em dois tipos: o primeiro é tudo que você descobre prestando atenção nos diálogos, nas cenas e no mapa, que eu acho ser a maioria das informações e quests do jogo. Acho que todo mundo só de pegar o controle e fazer várias runs com um único personagem já vai conseguir descobrir quase tudo.
Quase tudo porque cada personagem jogável interage de maneira diferente com os NPCs e, dependendo do lugar, pode ou não receber informações ou quests, que normalmente levam mais de uma run para completar.
Antes que fique a dúvida no ar: para liberar os outros personagens jogáveis, Cider e Brome, não tem segredo, é só avançar na história e no mapa que eles se juntam ao seu pequeno grupo de rebeldes.
O segundo tipo de segredo é aquele que exige sinais de mão em determinados cenários e você vai ter que testar para descobrir (ou pesquisar na internet para ver o que as pessoas já acharam).
Não tenho mais palavras para descrever o quanto Absolum é incrível. Espero que tudo que eu escrevi tenha te deixado com vontade de jogar porque, pra mim, a nota não tinha como ser outra:
Agora é pra eu ficar algum tempo sem jogar nada da Dotemu, senão vai parecer que eu só estou fazendo propaganda pra essa empresa. Se bem que já vai sair (ou já saiu) MARVEL Cosmic Invasion agora no fim do ano.
Mas falando sério: eu realmente estou pensando em fazer uma revista, tipo uma edição especial, pra servir de guia não oficial de Absolum. Mas acho que essa ideia vai sair da minha cabeça assim que achar outro jogo legal.
Ah! E se interessar, segue a platina e mais uma coisinha pra mexer com o meu e o seu TOC: platinar não quer dizer que você terá 100% do jogo completado no save. Eu estou desesperado tentando fazer esses 2% que faltam, mas eu não tenho a menor ideia do que seja.










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