Fallout 3 - Game of The Year Edition - Análise
No jogo, James, pai do personagem principal, é dublado por Liam Neeson e sai do refúgio que você viveu a vida toda. Sem nenhuma pista, você cai no mundo e tenta encontrá-lo em uma BUSCA IMPLACÁVEL!
Fallout 3 é um marco na atual era dos videogames. Analisando bem, dá pra dizer que é que um dos melhores resultados em passar uma franquia de RPG isométrico e por turnos para tiros em primeira pessoa, apesar de diversas falhas técnicas inacreditáveis, mas que passam despercebidas para quem consegue mergulhar no mundo pós-apocalíptico criado na década de 1990 pela Interplay e trazido de volta a vida, em 2008, pela Bethesda.
Ele também foi o jogo de estreia do meu primeiro notebook, comprado em 2010 para fazer os trabalhos da faculdade. A coisa era feia: a máquina rodou Fallout 3, sofrendo, em 800x600 e literalmente com todas as configurações gráficas no mínimo. Eu mergulhei tanto nesse mundo pós-apocalíptico que pedi uma Nuka Cola na lanchonete do trabalho uma vez, sem querer.
Na época, rodando no Windows 7, eu não lembro de ter tido grandes problemas. Mas todas as vezes que inventei de jogar de novo, o trabalho para fazer ele rodar era absurdo. No Windows 8 e, depois, no 10, eu já precisei editar arquivos de configuração, procurar arquivos DLL que estavam faltando e instalar mods específicos.
Infelizmente, nem todas as vezes que eu instalei Fallout 3 em um computador, ele funcionou.
Fora tudo isso só pra conseguir jogar, eu também não sei dizer em qual título da Bethesda eu aprendi que as correções não-oficiais sempre deixam os jogos dessa produtora melhores. Mas dessa vez eu não consegui instalar arquivos de terceiros, o famoso patch não-oficial. A versão atual de Fallout 3 é a 1.7.0.4, de 2021, e o último pacote de correções feito por fãs é de 2013, então este pacote não funciona mais. Aparentemente a dona do jogo está tentando acabar com a compatibilidade de mods gratuitos.
E mesmo com essa atualização oficial bastante recente, não foram incluídas conquistas na versão Steam do jogo, que pra mim fazem muita falta.
Para acabar com essa parte e finalmente começar a falar do jogo: agora no final de 2025 eu decidi jogar Fallout 3 no Linux e, por incrível que pareça, a única configuração que eu precisei fazer para o jogo funcionar corretamente foi usar uma versão específica do Proton, que é a camada de compatibilidade criada pela Valve para fazer jogos de Windows funcionarem no Linux. Pra quem quiser saber, a versão é a 4.2-9.
O jogo está rodando liso, mas eu acho que as legendas estão levemente deslocadas para cima e ele se fechou sozinho 3 vezes em um pouco mais de 10 horas. Então, acredite, essa tem sido a melhor experiência que eu já tive jogando Fallout 3.
Agora chega de tecnicalidades, vamos falar do jogo em si.
Tudo começa com você nascendo e, na sala de parto, as características do seu personagem vão ser definidas. Seu sexo, nome e aparência, que pode ser vista num projetor de genes, onde você vai customizar o seu rosto.
Depois disso, começa o tutorial.
Com um ano de idade, você anda até seu pai que, de maneira muito sacana, te prende num chiqueirinho para ir resolver alguma coisa rápida. Então você aprende a andar, a abrir portas, manipular objetos e define os seus atributos, que, em inglês, formam a sigla S.P.E.C.I.A.L. São eles: Força, Percepção, Resistência, Carisma, Inteligência, Agilidade e Sorte.
Ocorre um salto temporal e você está na sua festa de aniversário de 10 anos, quando aprende como funcionam os diálogos conversando com os convidados, a mexer no seu Pip-Boy e, escondido do supervisor do refúgio, a atirar com uma arma BB.
Mais uma passagem de tempo rápida e, aos 16 anos, você está conversando com seu pai antes de fazer o vestibular do refúgio, uma prova que vai definir sua profissão. Acontece uma briga sem armas e você aprende sobre as habilidades do jogo.
E, encerrando, aos 19, sua melhor amiga, Amata, te acorda falando que seu pai saiu do refúgio, o supervisor executou um dos moradores e está maluco de bravo. O lugar está em alerta vermelho, as forças de segurança querem te matar e tem baratas gigantes pra todo lado. Você precisa sair dali correndo e, depois, procurar seu pai para saber o que aconteceu e por que ele foi embora.
Vencendo essa situação inicial, você sai refúgio, chega aos ermos (wasteland) de Fallout 3 e, finalmente, o jogo começa de verdade em uma região metropolitana de Washington D.C. que foi devastada por uma guerra nuclear, mas reconstruída em algum grau, bem pequeno, pelos sobreviventes que estão morando ali. Cabe a você, então, ir perguntando pra todo mundo pra onde foi seu pai e enfrentar tudo que aparecer pelo caminho: insetos gigantes, escorpiões e zumbis radioativos, caranguejos gigantes, super mutantes, robôs assassinos, mercenários, gangues e mais.
Seria esta uma busca implacável ou um procurando Nemo reverso?
O universo é extremamente rico e cheio de missões, mas boa parte delas depende de análise das pistas encontradas, porque o destino não fica marcado no mapa. Sempre tem alguma coisa nova pra descobrir.
Depois de um tempo jogando, parece que cada prédio tem um um papel interessante na história, você só precisa achar alguma pista que leve até o que fazer especificamente naquele lugar.
Fallout 3 é recheado de aventura, humor e até terror. O roteiro e o mundo são deliciosos de explorar, ainda mais que tudo é carregado de um humor bastante mórbido. Mas diversas vezes ocorrem quebras desse ritmo, como uma antítese, no sentido da figura de linguagem, porque o jogador esbarra em situações que se assemelham a fantasias infantis.
Do lado mais sombrio, nos deparamos com: assassinatos, super mutantes sequestrando pessoas de uma cidade para comer, endogamia dentro dos refúgios, experimentação sem nenhuma ética feita em seres humanos, pequenos assentamentos sendo atacados por gangues, canibalismo, drogas, prostituição e traições.
Enquanto do lado mais fantasioso, encontramos vampiros bonzinhos, pessoas se passando por super-heróis e super-vilões, cientista louco que acidentalmente faz formigas gigantes cuspirem fogo, uma idosa querendo um violino para tocar e por as gravações no sinal de rádio, robô gigante, o guia de sobrevivência e uma cidade de crianças vivendo melhor que todos os adultos do jogo, mesmo sem nunca tomar sol.
Obviamente, Fallout 3 trás várias outras situações além dessas aí em cima, sombrias, fantasiosas, os dois ou até outra coisa. Tem muito mais que isso ali. Só jogando pra descobrir, porque esta é uma análise sem spoilers.
Em nenhum momento quero dizer que a quebra do clima sombrio torna o jogo ruim. Todas os cenários são muito bem escritos e convencem na maioria do tempo. O problema é quando um deles não convence você, especificamente. A partir daí, a imersão fica quebrada e demora um pouco para a magia voltar.
Comigo aconteceu um clique que me fez sentir que tinha alguma coisa de errada com o jogo o tempo todo. Mas, depois de algumas horas e três missões, eu voltei a me sentir dentro daquele universo. Era só não pensar naquela situação específica.
Se isso não aconteceu com você, fico feliz, porque você definitivamente aproveitou Fallout 3 mais do que eu. Enfim, para o público no geral parece que o que impede a imersão neste título são os gráficos. Pra mim, eu prefiro não falar, para não arriscar a quebra da magia para outro jogador.
Avançando na análise, outro aspecto ruim é a dificuldade. Literalmente aumentar a dificuldade nas opções ou avançar rumo ao fim do jogo enquanto o nível do personagem principal sobe só faz com que os inimigos tenham mais vida e causem mais dano. Isso faz acontecerem absurdos como você ficar de frente com um inimigo descarregando a arma nele enquanto ele também atira no personagem principal.
Essa cena surreal costuma se estender por 5 a 15 segundos sem que nenhum dos dois caia, mas com um ocasional uso do Pip-Boy para se curar ou usar fármacos.
Na minha concepção, isso seria a definição de dificuldade artificial. O ideal seria que o jogo se tornasse mais desafiador com inimigos mais espertos durante a batalha, que adotassem estratégias diferentes, ficassem mais rápidos ou qualquer outra coisa. Aqui eles só se transformam em esponja de balas, você atira, atira, atira e eles não morrem.
Outros problemas incluem: o sistema de tiros, onde a mira em primeira pessoa não é mesma da mira em terceira pessoa e outros pormenores contornáveis. Nesse caso dá pra depender mais do sistema VATS (Vault-Tec Assisted Targeting System ou, em português, Sistema de Auxílio de Mira da Vault-Tec).
E, encerrando, tem também o karma onisciente, que não faz o menor sentido. Com este sistema, você dá água para um mendigo num canto do mapa e alguém em outro lugar, completamente desconectado, te trata igual a um santo e paga o dízimo para o personagem principal, literalmente.
Fallout 3 é um jogo maravilhoso. Com um elenco de dubladores sensacional, conteúdo, roteiro e história presente no cenário que fazem inveja a vários dos jogos mais caros já lançados, mas tem vários problemas. Tudo que tem de bom no jogo compensa uma boa parte dos seus pontos negativos, mas, infelizmente, não todos.
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