Streets of Rage 4 - Análise

Streets of Rage foi uma série de 3 jogos beat'em up, briga de rua ou briderrú, desenvolvida e lançada pela Sega para o Mega Drive na primeira metade dos anos 1990. O título original, no Japão, é Bare Knuckle, que significa alguma coisa próxima de 'punhos nus', e fez um sucesso razoável naquela época, considerando que o alcance dos videogames era muito menor do que é hoje.

Para facilitar, eu vou usar as datas dos lançamentos no Japão.

O primeiro, que saiu em agosto de 1991, teve uma recepção muito boa e, de verdade, levou uma experiência tão boa quanto fliperamas para dentro de casa. Era difícil conhecer um dono de Mega Drive que não conhecesse o Streets of Rage original. Pra mim, esse jogo tem uma importância pessoal enorme, porque ele foi a terceira fita que eu tive na vida.

Então é difícil ter ideia da quantidade de horas que essa fita ficou funcionando no meu console e mais difícil ainda de eu fazer uma análise imparcial de Streets of Rage. Em qualquer momento que eu jogar, eu vou gostar porque estarei usando as lentes da nostalgia, que não dá pra tirar.

O segundo, lançado em dezembro de 1992, melhorou tudo que tinha no primeiro e foi além: todo mundo queria jogar. Na época meus pais não chegaram a comprar, mas quem tinha o console de 16 bits da Sega já tinha comprado, alugado ou emprestado e, se tivesse a chance, jogaria ele de novo.

Dizer que foi muito bom pra época é pouco. Streets of Rage 2 é um jogo bom até hoje e na internet a fora tem gente dizendo que ele disputa a vaga de melhor briga de rua de todos os tempos com Final Fight 3. Pelo menos nos consoles caseiros.

E agora chegamos no terceiro, que havia encerrado a franquia sem agradar muito os fãs depois de chegar às prateleiras das lojas em março de 1994. Ao invés inovar nos gráficos, mudou um pouco o que tinha sido feito no seu antecessor. A dificuldade escalonou de um jeito estranho e eu definitivamente achei muito estranho o balanceamento que foi feito com o dano causado pelos personagens jogáveis, além de ter algumas partes bem repetitivas e pouco criativas.

Quando eu era pequeno, Streets of Rage 3 não chamou minha atenção e, agora que eu finalmente peguei pra jogar depois de adulto, achei algumas escolhas de design ruins. No final, não valeu meu dinheiro nem meu tempo e parece que muita gente teve a mesma opinião desde os anos 1990.

E, finalmente, em abril de 2020, praticamente 26 anos depois do lançamento do último jogo da série, chegou uma continuação desejada por muitos, mas que os fãs não tinham esperança que fosse lançada já há um bom tempo: Streets of Rage 4, usando a propriedade intelectual da Sega licenciada, desenvolvido por diversos estúdios, DotEmu, Lizardcube, Guard Crush e Seaven Studio.

Não sei há quanto tempo todas essas empresas se prepararam para fazer Streets of Rage 4, mas parece que eles criaram seus jogos anteriores para juntar o que aprenderam e fazer um trabalho espetacular. Claramente a arte foi melhorada a partir do que a Lizardcube fez em Wonder Boy: The Dragon's Trap. E a Guard Crush experimentou e aprendeu sobre beat'em ups criando Streets of Fury (2015).

Que bom que eles não fizeram o contrário.

Juntando isso com o anúncio do jogo, sair dos pixels e adotar arte desenhada à mão foi uma ideia que gerou estranheza em algumas pessoas, mas só antes delas terem experimentado Streets of Rage 4. Depois de jogar esta maravilha, dá pra dizer com tranquilidade que tanto a decisão quanto a execução foram espetaculares.

E dá pra ver isso muito bem do lado de alguém que começou agora no mundo dos games: eu perdi a conta de quantas vezes a minha esposa olhou para um cenário e disse: "que jogo bonito".

Não é a toa que a Dotemu, publicadora do jogo, escolheu o mesmo estilo de arte e animação para começar uma propriedade intelectual própria com Absolum, que eu pretendo comprar e jogar no final do ano.

Só de ver qualquer um dos dois na tela já da gosto.

Tudo isso ao som de músicas ótimas, algumas 100% novas e outras inspiradas nos títulos anteriores da franquia.

Se alguém que manja falar outra coisa, provavelmente eu estou errado porque eu não tenho competência para avaliar qualidade de música. Mas eu posso dizer que gostei da trilha sonora de Streets of Rage 4 e, depois, achei que o acompanhamento sonoro da expansão, Mr. X Nightmare ficou ainda melhor.

Pra mim, a música acompanha bem a porradaria na maior parte do tempo e nos momentos de calma preenche o espaço. Algumas vezes faz isso com nostalgia, mas sempre mostra como vai ser o ritmo da briga que já vai começar.

Mas tudo isso não valeria de nada se o jogo fosse ruim. E Streets of Rage 4 entrega: é o melhor briga de rua que eu já joguei e entrou para a galeria dos meus jogos favoritos.

Eu nem sei o que dizer. O único jeito que eu consigo pensar pra mostrar isso pras pessoas é descrevendo: os movimentos são fluídos, apesar da lentidão proposital de alguns personagens. Os comandos são responsivos e as possibilidades de combo, numericamente absurdas, inclusive usando os limites de cada batalha como parece invisível, que dá pra fazer os inimigos quicarem no meio dos combos e, de quebra, não deixa eles se esconderem fora da tela - que era, de longe, o que mais irritava nos jogos antigos.

A progressão também é sensacional, tanto pra liberar personagens como para outros conteúdos porque o jogo não força pra que tudo aconteça de um só jeito. Você pode fazer os treinos, procurar guias na internet ou ir testando até encontrar o que se encaixar no seu estilo de jogo.

Vou contar o que aconteceu comigo só pra ilustrar.

Eu comprei Streets of Rage pra jogar de 2 com a minha esposa e a gente se divertiu bastante. Fechamos o jogo várias vezes no fácil, algumas vezes no normal e falhamos miseravelmente no difícil. Só fazendo isso a gente conseguiu liberar todos os personagens, com exceção do Roo, o Canguru. Quem quiser jogar com ele é só colocar um código bobo na tela do título.

Aí eu decidi comprar a expansão pra gente ter mais conteúdo pra aproveitar junto. Comecei a jogar enlouquecidamente o modo "sobrevivência" pra liberar todos os golpes, que eu queria muito ver, e reparei que 2 golpes da Estel pareciam funcionar bem em sequência. Decidi testar no modo história e consegui classificação "S" em todas as fases no difícil sem muito trabalho.

Eu já queria liberar todos os golpes só pra ver como eles são. Mas fazendo isso consegui um troféu e de quebra percebi como ganhar outro praticamente sem esforço.


Parece tudo conectado. Você joga de um jeito para conseguir uma coisa, aprende mais e consegue outras. Não dá vontade de sair da frente da tevê.

E, chegando no fim da análise, o que pode ser considerada a pior parte do jogo para muitos, mas pra mim é primorosa: a história! Mas antes de falar dessa parte, eu gostaria de listar algumas obras audiovisuais: Lazy Rider (abertura dos Simpsons), Kung Fury, Kung Fusão, O Dublê, filmes do Stalone e do Schwarzenegger dos anos 1980. Eu sou fã de tudo isso.

Em Streets of Rage 4 um grupo de artistas marciais desafiam tudo e todos para limpar a cidade. Você vai lutar contra Galsias, policiais, criminosos, Galsias, controle da mente, playboy de balada, chefes do crime, Galsias e muito mais. Nas ruas, no esgoto, em exposição de arte moderna do passado, no porto e até em outros lugares.

Se alguém me disser que essa história é só uma desculpa pra porradaria, eu respondo de maneira firme e educada: "sim. E precisa de outra coisa?". Pra quem não gostar, existem filmes de princesa.

Dito isso, a nota não poderia ser outra:

Desde os anos 1990, Streets of Rage 2 (1992) do Mega Drive e Final Fight 3 (1995) do Super NES disputavam o título de melhor briga de rua de todos os tempos, pra mim essa brica não existe mais. Streets of Rage 4 leva a coroa de melhor do seu gênero e eu acho que vão alguns anos até sair um beat'em up melhor.

E, encerrando, se você jogou todos os jogos oficiais da franquia e não foi suficiente pra você, procure por Streets of Rage Remake. É um jogo feito por fãs que muitos dizem ser até melhor que Streets of Rage 4.

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