Linux e eu

O tema principal deste blog é games, mas eu tenho um pezinho na informática em geral.

Eu sou técnico formado nessa área e larguei o curso de ciências da computação no 2º ano. Não trabalho com isso diretamente desde 2007, mas acho que dá pra dizer que eu já sofri com computadores um pouco mais do que o usuário médio.

Dito isso, a parte econômica da informática conversa bastante com a minha área de formação e eu gosto bastante de tentar fazer análises a respeito disso.

Recentemente, tenho estudado até que bastante sobre merdificação, bostificação ou esmerdeamento que, para quem não conhece, é um fenômeno real da economia digital e consiste, de maneira mais resumida do que certa, numa queda acentuada de qualidade das plataformas digitais depois que elas conquistam uma grande base de usuários.

Enfim, eu acredito que o Windows, sistema operacional da Microsoft, esteja passando por isso ou por alguma coisa muito parecida e, por causa disso, eu tenho achado interessante ler sobre estratégias da empresa e o crecimento da alternativa, o Linux.

Pra dar o ponta-pé inicial nessa sequência de textos, e talvez vídeos, eu parei pra pensar em algumas experiências, em tudo que eu passei com o Linux sem nunca ter, de fato, usado ele até ano passado, 2025.

Em 1998, minha família comprou o primeiro computador pessoal que a gente teve: um K6-II 300. Meu pai pagou caro, parcelou em sei lá quantas vezes e eu era um garoto de 12 anos fascinado com o mundo da informática e, é claro, com jogos.

Na hora da compra pode ser que eu fui aquela criança que queria o computador só pra jogar, mas acabou que ele serviu pra muito mais que isso e a minha consciência está limpa.

Este primeiro guerreiro foi usado pra muita coisa: fiz vários trabalhos para a escola nele usando o CD da Enciclopédia Abril, editei um encarte para o trabalho do meu pai que ajudou ele pra caramba e é copiado aqui na cidade até hoje, inclusive o layout da capa, e depois fiz todos os exercícios para casa do curso técnico.

Joguei muito também, de emuladores a CDs arjeados, mas quase nada original. O que eu lembro de cabeça foi algum jogo da Ilha dos Macacos, emprestados de um amigo, Full Throttle, de um vizinho, e Diablo, que vinha com uma revista.

Confesso que nele eu cometi um dos maiores erros da minha vida: tentei instalar o Linux sem ter a menor ideia do que estava fazendo e deixei inutilizado 1 Gb do HD, que só tinha 3,2. Mandamos para um técnico da cidade e ele não sabia arrumar nada que envolvesse partições. Cobrou, mas entregou tudo como estava.

Esse episódio aconteceu em 2000 com o manual e o CD de um amigo da igreja. Eu não lembro qual era a versão do Linux.

Depois de um ano eu consegui arrumar, graças às aulas de hardware e, mais tarde, acho que em 2002, um professor de programação me arrumou um CD do Kalango Linux, que eu, de novo, falhei miseravelmente em instalar.

Só que desta vez eu não estraguei um terço do meu disco rígido.

Por mais incrível que possa parecer, eu instalei o Windows ME nesse computador depois de todo esse rolê e ele ficou sem dar defeito por anos, até 2012, quando, finalmente, parou de funcionar. Minha mãe usou ele até o fim.

Depois do curso técnico, que eu acabei em 2003, experiências com o Linux só aconteceram enquanto eu cursava ciências da computação, entre 2006 e 2007, quando eu vi meu amigo, o Tropeço, gravar um DVD enquanto navegava na internet tranquilamente usando o Ubuntu. Isso não acontecia no Windows, porque havia um risco muito grande da gravação dar errado e a mídia virar lixo. Nessa distribuição do Linux, aparentemente, o gerenciamento de discos era melhor e não existia este risco.

Mais tarde ele abandonou o Linux por causa de jogos, eu sai da faculdade e a gente não se viu mais.

Na mesma época, outro amigo, o Bolha, me ajudou a instalar o Arch Linux na minha máquina e configurar a placa de rede para usar a internet. Eu até tentei, mas não consegui usar e desisti em duas ou três semanas.

Fora isso, eu usava bastante o Linux que tinha nos laboratórios de informática porque era bem mais rápido que o Windows nas mesmas máquinas. Se eu não me engano, toda máquina tinha dual boot e dava pra escolher entre usar o sistema da Microslop e o Debian.

Eu tranquei a matrícula e abandonei este curso em 2007.

Ainda em relação à informática, eu fui empreendedor autônomo, empresário de MEI nunca registrada, nesse mesmo ano passando VHS para DVD e tirei uma grana razoável para um jovem adulto que dependia do dinheiro dos pais.

Esse bico durou 6 meses até eu entrar na faculdade de Geografia e, anos mais tarde, me formar professor. Profissão que atuo até hoje.

Depois disso eu instalei o dual boot, com Windows e Ubuntu, em quase todas os desktops e notebooks que eu tive, mas eu nunca usava o Linux pra nada então, depois de um tempo, eu desinstalava e ficava só com o sistema da Microsoft.

E foi assim até chegar a pandemia.

Esta imagem foi gerada por IA.

Em 2020, entre março e abril, com o aumento dos casos de COVID no Brasil, as escolas adiantaram as férias de julho para se preparar para a Educação à Distância (EaD). Uma semana antes dessas férias acabarem, a tela do meu notebook queimou e não ia dar tempo da assistência arrumar antes de eu precisar dele pra trabalho.

A solução que encontrei na época foi comprar um desktop da crise na Pichau, que está comigo até hoje. É um Ryzen 3 3200G com 8 Gb de RAM e sem placa de vídeo dedicada. Não é potente, mas pra funções de escritório está de bom tamanho.


Seguindo meu padrão de ações sem sentido envolvendo sistemas operacionais, eu instalei o dual boot nele com Ubuntu e já tive que desinstalar imediatamente, porque a distro não reconheceu meu adaptador Wi-Fi e, na década de 2020, não dá pra ficar sem internet.

Na máquina, então, somente RUindows 10 até julho de 2025.

Em 2024 eu tive vários problemas com o sistema da Microslop, principalmente com atualizações. Eu configurei de todos os jeitos possíveis e imagináveis para a porcaria do sistema não baixar nem instalar atualizações sem a minha permissão, mas a internet ficava super lenta quando ele baixava as atualizações escondido, sem nenhum aviso, e, depois, o computador praticamente parava de funcionar para instalar elas, de novo, não notificando nada.

Aí, do nada, depois de eu ter entre meia e uma hora de computador funcionando mal para caramba, vinha o aviso: "as atualizações foram instaladas e seu computador precisa ser reiniciado".

Pra começar, depois de aguentar o computador sem funcionar direito por todo esse tempo enquanto eu tentava trabalhar, dava vontade de jogar tudo pela janela. Mas ainda tinha uma falsa opção: escolher resetar a máquina mais tarde. Se você fizer isso, tudo vai continuar lento, sem funcionar direito.

Então você clica em "reiniciar mais tarde", salva tudo, e reinicia. Não é um jogo, mas parece que você está perdendo só de precisar usar o computador.

Fora isso, para colocar uma linda cereja em cima desse bolo de cocô, nos últimos meses, o explorador de arquivos parava de funcionar do nada.

Não faz sentido eu sofrer tanto quando meu principal uso do PC é trabalho. Eu só faço atividades razoavelmente simples e leves: digitação de notas, elaboração de provas, trabalhos e relatórios. Eu basicamente preciso fazer pesquisas na internet e usar um pacote de escritório. Pra isso eu tenho prazos para cumprir e computador lento por nada me faz passar muita raiva.

Finalmente eu desisti do RUindows. De janeiro até junho de 2025, eu testei o Libre Office no RUindows mesmo e, no notebook, com a tela arrumada, instalei o Linux Mint e testei o Microslop Teams, que eu preciso para trabalho. Deu tudo certo e em julho eu instalei o Linux Mint, que está funcionando maravilhosamente bem desde então.

Agora eu queria muito ter um DVD ou qualquer outra mídia do RUindows, pra que eu pudesse queimar.

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