O Paraíso dos Rogues - ROGUEHEAVEN (Parte 1 de 3)
Rogue foi um jogo lançado por Michael Toy e Glenn Wichman em 1980 para Unix. Nele, você era um aventureiro em uma masmorra que lutava contra monstros e coletava itens.
O título não fez tanto sucesso, mas suas mecânicas eram muito interessantes e foram usadas em diversas outras obras lançadas a partir de 2011.
Esse primeiro era um roguelike: um jogo de exploração onde a gente perde tudo que conseguiu quando o personagem morre e tem que começar de novo em um mapa diferente, que pode ser aleatório ou gerado proceduralmente.
Depois dele, vários outros apareceram com as mesmas mecânicas, mais ou menos, e fizeram um sucesso razoável nos 10 anos seguintes. Alcançando um público grande tivemos Spelunk (2012), Darkest Dungeon (2016), Dead Cells (2018) e Hades (2020), só focando em alguns dos mais famosos.
Em alguns jogos baseados nas mecânicas de rogue dessa época foi implementada uma mudança fundamental: passou a ser possível acumular recursos para comprar melhorias permanentes. Esses títulos onde isso acontece passaram a ser chamados de roguelites, mais acessíveis e que alcançaram um público ainda maior.
Considerando que essas aquisições, que te deixam mais forte para as próximas tentativas, são uma alteração de algo que já estava lá, jogos mais modernos adicionaram ao gênero uma mecânica completamente nova: escolher uma recompensa de três possibilidades aleatórias.
Isso surgiu em Crimsonland (2003), mas chegou a uma parte do público em 2015, na expansão Rebirth de Binding of Isaac, e, depois, se tornou um elemento central do gênero com os lançamentos de Slay the Spire (2017), Hades (2020) e, finalmente, Vampire Survivors (2022). Neste último, escolher 1 novo poder entre 3 aleatórios a cada subida de nível é, praticamente, o objetivo central da parada toda.
A escolha de design de escolher alguma recompensa entre 3 sorteadas aparece em tantos representantes do gênero, já está tão enraízada na mente dos jogadores, que praticamente foi adicionada à força na definição de roguelikes e roguelites. Eu tenho certeza que muita gente já classificou jogos nesta categoria só por ter visto esta mecânica.
Enfim, roguelikes, roguelites, ou só rogues mesmo, se tornaram um gênero que está dominando o mercado. Coroando esta classificação, Balatro levou o prêmio de melhor jogo indie no TGA e também foi indicado a melhor jogo do ano de 2024. Depois, em 2025, Hades II foi indicado a 6 categorias do mesmo prêmio e levou para casa a taça de melhor jogo de ação.
O caso é que, quando alguma coisa faz sucesso, aparecem os clones. E, meu Deus, o número de lançamentos de jogos com mecânicas rogue é absurdo.
Sem pesquisar muito, eu encontrei um vídeo no canal Nação Indie com o que eles consideraram os 15 melhores rogues de 2025. Foram: Katanaut, Yasha: Legends of the Demon Blade, Rogue: Genesia, Reignbreaker, Sworn, UnderMine 2, Die in the Dungeon, Metal Bringuer, Moonlighter 2: The Endless Vault, Morsels, Hell Clock, Lost in Random: the Eternal Die, The Rogue Prince of Persia, Ball x Pit e Hades II. Fora que teve, ainda, menções honrosas: Garden of Witches, He is Coming, Ovis Loop, Sephiria e Voidborn.
Isso que eles não falaram do fenômeno que foi Megabonk e, na minha opinião, a lista está errada porque não consta nela o jogo que, de fato, deveria ser considerado o melhor de 2025: Absolum.
Talvez eu esteja exagerando em relação a Absolum porque eu gostei bastante e ele parece ser um jogo mais nichado... mas o texto é meu, então eu coloco aqui os jogos que eu quiser na posição que eu achar adequada!
O importante é que nos últimos parágrafos, sem nenhum esforço, eu listei 22 rogues diferentes que foram lançados em 2025. São muitos jogos de um único gênero sendo feitos por estúdios no mundo inteiro.
Disso nós podemos tirar dois aspectos importantes: se você está gostando desse tipo de jogo e continua animado com cada lançamento, parabéns! Você está passando pelo Paraíso dos Rogues, o ROGUEHEAVEN.
E, em segundo lugar, eu quero entender por que isso está acontecendo.
Se você também quiser, volte aqui semana que vem que eu vou publicar a segunda parte deste texto: ROGUEMANIA!
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