Histórias de GTA 3 - Parte 1: Inspiração e Início
Antes de começar, este texto e todos os jogos da franquia Grand Theft Auto (GTA) são recomendados para pessoas de 18 ou mais anos de idade. Por favor, respeite a classificação etária indicativa.
Grand Theft Auto III, ou só GTA 3 mesmo, foi lançado em 2001 pela Rockstar e eu não joguei na época, mas agora, 25 anos depois, deu vontade de pegar pra brincar um pouco com a versão de PlayStation 2 e deixar tudo registrado com conquistas no Retro Achievements.
Assim que o jogo começa, ele entrega atmosfera, ambientação e dinâmicas que lembram muito "Os bons companheiros", Goodfellas, filme de 1990 dirigido por Martin Scorsese e que só pode ser classificado como uma obra-prima do cinema.
Nas primeiras horas de jogatina já até apareceram dois easter eggs: um cartaz de filme com o título Badfellas e uma das missões, já nas primeiras horas, se chama "Gambá morto no porta-malas".
Tanto em GTA 3 quanto em Goodfellas, o personagem principal não é parte da máfia, mas começa a prestar serviços para uma família italiana, que aqui eu vou chamar de famiglia, um grupo profissional que não faz trabalhos legais ou formalizados e onde os integrantes costumam ter a mesma ascendência, mas não precisam todos estar relacionados por sangue.
No filme, acompanhamos a história de Henry, interpretado por Ray Liotta, filho de pai irlandês e mãe italiana, da Sicília, que cresce num bairro dominado pela famiglia e vive impressionado pelo poder e dinheiro que essas pessoas conseguem fazendo "favores" para o pessoal da vizinhança.
Com 11 ou 12 anos de idade, ele já começa a fazer pequenos "trabalhos" para a famiglia no estacionamento que fica atravessando a rua e, depois, quando cresce, Henry passa a organizar algumas das atividades para seus amigos de trabalho.
"Os bons companheiros" é a história de um homem que se envolve com o crime organizado, indo de peixe pequeno até se tornar um contratado regular e pessoa de confiança que, mesmo sem fazer parte, é importante para famiglia do local.
Pelo menos a primeira metade do filme é isso e, com certeza, a obra de Scorcese influenciou muito GTA 3. Os dois são diferentes, mas a Rockstar fez o trabalho tão bom recriando alguns aspectos de Goodfellas, que se tivesse saído um jogo oficial, ele não seria grande coisa em comparação.
Se a gente ainda estivesse em 2001, eu diria que foi o que Metroid fez com Alien. Naquela época não tinha um jogo oficial dos xenomorfos que chegasse aos pés do que a Nintendo fez com a sua franquia própria.
Agora chega de inspiração, vamos falar das primeiras partes de GTA 3.
O jogo se passa em Liberty City, uma cidade que não existe de verdade, mas é baseada em Nova Iorque, e pode ser dividido em partes de um jeito muito fácil de entender: primeiro nós temos a introdução e, depois, a história avança conforme você é apresentado a personagens novos que podem te oferecer missões. Dá pra dizer que os 5 ou 6 "trabalhos" de cada um desses NPCs é um capítulo.
Na introdução você, Claude, o personagem principal, é colocado em uma situação que te obriga a fazer tudo que o jogo apresenta depois. Sua namorada, Catalina, e mais uns caras te ajudam a roubar um banco e ela te trai quando todo mundo estava chegando no carro de fuga.
Ela dá um tiro em você, diz "Desculpa, querido. Eu sou uma garota ambiciosa e você é só um peixe pequeno" e o jornal que aparece na tela pra mostrar a sua situação ainda parece tirar um sarro. O título da notícia de primeira página é "Bandido é baleado por namorada-cúmplice; júri condena assaltante por unanimidade" seguido pela frase "Condenado por amor a dez anos!".
Zueiras a parte, você foi declarado culpado e vai ser levado a uma penitenciária. Por sorte, o comboio que estava te levando até seu novo lar é emboscado por um grupo fortemente armado que decidiu render os guardas para impedir que um figurão, um idoso, que estava sendo levado no mesmo transporte chegasse no presídio.
Tanto é isso que depois de resgatar quem realmente importava, eles simplesmente vão embora. O camburão só ficou com a porta aberta e os guardas sem ação.
Você e o 8-Ball, o terceiro detento que também ia para o xilindró, aproveitam a situação, batem nos guardas pra fugir, se livram das algemas e, logo em seguida, na hora de decidir pra que lado ir, uma bomba deixada pela famiglia explode ali do lado, apagando todo mundo que estava na cena, menos, é claro, o protagonista e seu mais novo companheiro.
Vocês correm até um carro e fogem.
Nessa hora, você descobre que o seu novo camarada é o cara. 8-Ball te arruma um quartinho, roupas, uma garagem e ainda te apresenta para um cara que pode arrumar "trabalhos" pra você levantar uma grana: o Luigi, dono do Sex Club 7, um bar no distrito da luz vermelha de Liberty City.
Luigi "cuida" das meninas que trabalham na área, arruma atendimentos pra elas prestarem e, agora, com a indicação certa, você acabou de virar os braços e pernas do cara. É você que vai fazer tudo pra ele e, é claro, receber dinheiro por isso.
O primeiro serviço é bem simples: buscar uma das garotas, Misty, no hospital e trazer ela para o clube.
Assim que você volta, Luigi já tem mais um pedido: convencer um traficante a parar de fornecer spank pras meninas com argumentos contundentes que serão feitos através de um taco de beisebol.
Spank é uma droga fictícia, inventada para ser a mistura de cannabis com coca no universo de GTA: ela é fumada, imitando a maconha, deixa o usuário ligadão, ou seja, causa nas pessoas o mesmo que a cocaína, e, para ter os efeitos desejados na narrativa, é altamente viciante.
Voltando, depois de um diálogo sem palavras, você convence o traficante a parar de respirar e, consequentemente, não vender mais nada pras meninas do Luigi. Mas isso não é suficiente. Nosso distinto dono de bar pede pra você pegar o carro do infrator, pintar de outra cor e entregar para o seu contratante, como compensação involuntária pelos danos causados.
Com o primeiro problema resolvido, assim que você volta para o clube do Luigi, ele pede pra você pegar a Misty num condomínio e levar para um dos clientes fixos dela, Joey, que é filho do don, chefão da famiglia Leone.
Joey tem uma oficina de carros e, agora, também começa a te passar uns "trabalhos". Mas ainda tem dois probleminhas para ajudar o Luigi a resolver.
O primeiro é sobre invasão de território: dois cafetões de uma gangue rival, Diablos, estavam entrando na área do clube e você ajuda eles a vestir ternos de madeira, para eles chegarem com as roupas adequadas do outro lado.
Depois, encerrando este primeiro capítulo e todos os pedidos do Luigi, tem policiais dando uma festa na delegacia, então é bom levar quantas meninas você conseguir antes que eles, nas palavras do seu contratante, gastem todo dinheiro com bebidas.
Exatamente como a Catalina, sua ex, tinha jogado na sua cara junto com uma bala, você só está fazendo coisa de peixe pequeno. Só que esse é só o começo, Joey é o filho do don e fazer os "trabalhos" que ele te pede vai ajudar a "subir na carreira".
Mas isso é conversa para o próximo texto.
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Vamos nos preparar para a chegada de GTA 6!



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