O fim da mídia física.
A Sony anunciou que encerrará a produção de mídias físicas para seus videogames em janeiro de 2028 e, a partir daí, a internet entrou em guerra: uma grande quantidade de pessoas se mostrou contra isso e disposta a incomodar.
Parabéns, estou junto com vocês. Mas, infelizmente, nós já perdemos.
Eu só gostaria de escrever alguma coisa a respeito e colocar para fora parte da minha revolta com tudo isso.
Bom, vamos lá.
"DIGITAL É O FUTURO" ou "MÍDIAS FÍSICAS ESTÃO MORRENDO"
Isso é uma mentira descarada e pode ser comprovado com novas produções em outros segmentos, como músicas e filmes, que estão voltando com tudo.
No auge, em 2005, mídias físicas de filmes arrecadaram 16 bilhões de dólares em vendas, enquanto agora, em 2024, este valor foi de 959 milhões, mas parece estar crescendo novamente.
Mais do que isso, DVDs continuam vendendo muito, mesmo com uma qualidade de imagem menor, que chega, no máximo, a 480p.
(Fonte: https://www.hardware.com.br/tecnologia/dvd-ultra-hd-blu-ray-empatam-mercado-eua-2025/)
A mesma coisa vale para o mercado musical, no qual os discos de vinil já vinham ganhando força com a ideia de valorização da experiência analógica, mas foram ultrapassados pelos CDs, que alcançaram 16,3 milhões de unidades vendidas só no primeiro trimestre de 2026.
(Fonte: https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2026/07/16/cd-supera-vinil-renascimento-formato-fisico/)
Já falando de jogos, temos que encarar a realidade: os preços baixos e as políticas pró-consumidor do Steam só prepararam o terreno. Quem deu o golpe final foi a péssima experiência de jogo em mídia física no PC, cujos jogadores tinham que lidar com o problemático Games for Windows Live, por exemplo.
Analisando os números, Sony e Microsoft perceberam que abandonar as mídias físicas seria um negócio extremamente lucrativo para os seus consoles.
OS NÚMEROS: Para onde vai o dinheiro do jogo que você compra?
Imagine que você juntou dinheiro e comprou um jogo novinho por R$ 400. Você sabia que a empresa que criou o jogo não fica com todo esse dinheiro? O valor é fatiado como se fosse uma pizza!
Vamos ver por que as empresas preferem que você compre o jogo em mídia digital (por download) em vez da caixinha com disco na loja:
1. Quando você compra a CAIXINHA COM DISCO na loja:
Imagine um jogo feito por uma empresa parceira da PlayStation (como o EA Sports FC ou um jogo da Capcom):
O Leão do Imposto: O governo cobra taxas altíssimas sobre produtos físicos aqui no Brasil. Dos R$ 400 que você pagou, cerca de R$ 220 vão embora só em impostos! Sobram R$ 180.
A Loja de Shopping ou Internet: A loja que te vendeu o jogo fica com uma fatia pelo trabalho dela: R$ 54.
A "Permissão" da Sony: Para lançar um jogo no PlayStation, a criadora do jogo precisa pagar uma taxa de autorização para a Sony. Isso custa R$ 27.
O Plástico: Fabricar o disco, a capinha e transportar de caminhão até a loja custa mais R$ 9.
O que sobra no final? A empresa que trabalhou anos para criar o jogo fica com apenas R$ 90!
(Nota: Se o jogo for criado pela própria Sony, como o Homem-Aranha, ela não precisa pagar a taxa de autorização de R$ 27 para ela mesma. Então, no disco, ela ganha um pouco mais: R$ 117).
2. Quando você compra o JOGO DIGITAL (por download):
Agora, veja a mágica acontecer para o bolso das empresas quando você compra na loja virtual (como a PlayStation Store):
Imposto bem menor: Jogos digitais pagam muito menos imposto no Brasil. Em vez de R$ 220, o governo fica com R$ 112. Já sobrou muito mais dinheiro na mesa: R$ 288!
A Loja Virtual: A dona da loja virtual fica com uma comissão de R$ 86,40.
O que sobra no final? Sem precisar gastar com disco, caixinha, caminhão de entrega e pagando menos imposto, a empresa que fez o jogo fica com R$ 201,60!
Isso é mais do que o dobro do que ela ganharia vendendo o disco (ela passa de R$ 90 para R$ 201,60)!
E tem o caso superespecial:
Se você comprar um jogo digital feito pela própria dona do videogame (por exemplo, comprar God of War na loja digital do PlayStation), a Sony é, ao mesmo tempo, a criadora do jogo E a dona da loja virtual.
Ou seja: depois de pagar o imposto, ela não divide o dinheiro com ninguém. Ela coloca no bolso todos os R$ 288! (É quase duas vezes e meia o que ela ganharia vendendo o disco físico!).
Resumo da ópera:
As empresas não estão matando os discos de plástico porque eles são "coisa do passado". Elas querem acabar com a mídia física porque, vendendo jogos por download pela internet, o lucro delas é absurdamente maior!
Para acabar: não são os usuários que, espontaneamente, estão comprando menos mídias físicas. São as empresas que estão criando esse hábito em seus consumidores através de estratégias como lançar consoles mais baratos, só que sem entrada para discos; reduzir cada vez mais a produção de mídias físicas; e impulsionar serviços de assinatura (como PlayStation Plus e Game Pass) com catálogos interessantes e promoções temporárias razoáveis.
O grande problema é que não existe nenhuma garantia de que as partes boas disso vão continuar após a extinção definitiva da mídia física.

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